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quarta-feira, 20 de março de 2013

Entrevista com Thiago

O Mundo da Penumbra hoje está em festa: conseguimos uma entrevista com o escritor Thiago, que lançará seu livro de estreia nesse sábado (23\03\2013). É um prazer recebê-lo aqui, logo ele que já publicou trabalhos neste confortável Mundo da Penumbra. Sem mais palavras, vamos à entrevista conhecer uma pouco mais desse novo talento:


Entrevista com Thiago, autor de Laços da amizade
(República da Arte
r. Maj. Almeida Costa, 39 - Campo Grande (próx. à estação) - Rio de Janeiro)

Mundo da Penumbra – Em primeiro lugar parabenizo você pelo lançamento de Laços da amizade, seu primeiro livro.

Thiago – Obrigado.

MP – O quão difícil foi dar esse primeiro passo, sabendo das dificuldades do mercado, que hoje é bastante segmentado e da quantidade do público leitor no país?

T – Pensei em parar diversas vezes, achando que nunca ia conseguir publicar nada aqui no Brasil, já que o meu estilo é fantasia e, apesar de haver muitos leitores de fantasia, achava que seria impossível publicar algo do gênero.

MP – Sabemos que você já possui trabalhos finalizados, por que a escolha de Laços da amizade como sua estreia?

T – Acho que pela história em si. E também por ser o único livro realmente terminado, os outros são contos e peças teatrais (risos). Mas acho também que foi pela inspiração que obtive quando escrevi. Foi o segundo livro que escrevi. O primeiro não tenho vontade de publicar, pelo menos não agora, eu teria que reescrevê-lo totalmente. E também escolhi Laços da amizade por ser um livro que acredito que tenha melhorado no processo da escrita. Eu, antes, escrevia alguns contos, mas acho que não sabia fazer muito bem, e ao decorrer deste livro acho que melhorei bastante, levando em consideração o fato que o escrevi entre acho que metade do ano de 2009 até o seu final e depois, nos anos seguintes antes da publicação, acabei acertando pontos que achei que tinha que melhorar e até modificando as ações e personalidade dos personagens. O livro também teve um pouco de inspiração em Harry Potter, Senhor dos anéis e Stardust.

MP - Você acha que nele podemos ver o Thiago – ou pelo menos seu estilo – que já vislumbrou em alguns blogs e sites?

T – Acho que sim, acredito que nos trabalhos mais recentes dá para se notar melhor isso, pois se passaram uns dois anos que escrevi o livro, mas na revisão tentei aproximar mais do que estou escrevendo hoje em dia.

MP – Pode nos contar sobre o processo de criação que o inspirou a compor o universo de Laços da amizade?

T – 
Bem, eu estava em um curso de acd (auxiliar de cirurgião dentista), no processo de nivelamento dos alunos, não lembro bem qual era a matéria. Eu estava na fase de querer ser escritor, só que não sabia como fazer totalmente. Anotava tudo o que se passava pela minha cabeça e tentava pensar como um escritor. Na época, eu estava começando a ficar super fã do Neil Gaiman, e tentava ler tudo o que conseguia dele. Acho que estava lendo ou havia acabado de ler o último livro do Harry Potter, o qual sou super fã também (risos), e estava escrevendo esse primeiro livro sem saber como fazer e apenas com o pensamento de que para virar escritor, eu tinha que terminar um livro. Estava com isso fixo na minha cabeça.
No dia eu vi uma garota com, se não me engano, o 6º livro do Harry (Potter), e comecei a pensar nos personagens. Imaginei como se eu homenageasse os personagens, e criei o Oliver, que tem muito do Harry mas, que na maioria das vezes sou eu de cabelo liso e um pouco corajoso (risos). Depois criei a Alice que seria a Hermione. Depois criei o Blaze, que era uma mistura de Rony e Draco, e em seguida criei os outros personagens.
Continuei pensando, não lembro se foi naquele mesmo dia. Acho que tenho anotado em diários – um deles, o do computador – o perdi. Então não sei bem ao certo, sei que acabei desenvolvendo a história. Depois ela passou muitas e muitas vezes pela minha cabeça, tive sonhos com ela, coisas que entrarão nos próximos livros da série.
Nos dias seguintes da ideia, me empolguei e continuei escrevendo, só que precisava terminar de escrever o meu primeiro livro. Se não eu nunca ia terminar nada, e ao mesmo tempo sempre que eu tinha tempo, eu ia e anotava alguma ideia. Quando resolvi finalmente começar a escrever eu tinha, acho, 70% da estória esboçada. Só precisava ligar uma parte com a outra, lapidar e escrever o início. Acho que de todos os personagens, Alice foi a que eu mais trabalhei e mudei as ações, já que o Oliver seria eu e os outros personagens seriam criações minhas com algumas exceções inspirações de personagens que sempre gostei. 



MP – Você direcionou o enredo e as ideologias contidas em Laços da Amizade para algum público?

T –Sim, mas para o público infanto-juvenil, embora os seguintes tentarei escrever algo mais maduro, se é que posso dizer assim, algo mais sombrio.

MP – Laços da Amizade tem um clima
gostoso que mistura o suspense floreado pelo humor, o que prende o leitor cena à cena. Como você que Laços da Amizade pode acrescentar algo na vida dos leitores?


T – Na identificação dos personagens, principalmente em Oliver, Alice e Blaze, acho que mesmo criança, quase todas as pessoas já passaram por alguma tristeza com um amigo, seja por um machucado, uma doença ou mesmo a distância. Os leitores podem ver que os quatro são muito ligados, e se pudessem, trocariam de lugar com o amigo.

MP – Falando um pouco mais de você, quais suas influências?

T – Meus autores preferidos são J.K Rowlling e Neil Gaiman e eles são as minhas maiores influências. Até hoje não consegui escolher um terceiro autor. Gosto muito do (Stephen) King e da Anne Rice, como também de Álvares de Azevedo, mas sempre tento buscar algo na JK e no Neil, tanto que até hoje também não consigo definir qual dos dois está em primeiro ou em segundo lugar na minha lista de autores preferidos. Outro também que me influenciou até mesmo antes dos dois foi o Roberto Gomes Bolanos, o Chaves. Desde pequeno sempre amei os trabalhos dele, então acho até que tenho mais uma essência do Chaves em mim do que eles dois, mas como eu acabo sempre pensando em escritores de livros primeiro ou em fantasia, já que ele é escritor de séries de comédia, acabo esquecendo de mencionar um dos caras que, se eu parar para pensar, talvez seja o herói da minha infância, seja com Chaves ou Chapolin. Acho que ele também entraria no páreo para decidir quem fica em primeiro com a JK e o Neil (risos).

MP – Que mensagens deixa para seus leitores?

T – Que acreditem em seus sonhos. 

MP – Muito obrigado.


Confira outros contos do autor de Laços da amizade aqui no Mundo da Penumbra:


terça-feira, 8 de março de 2011

Entrevista com Papai Noel e Ling e Ping


Esta é a primeira da série "Entrevista com personagens", onde o Mundo da Penumbra entrevistará personagens, segundo a visão de seus autores. Os personagens abaixo são do escritor Thiago, de Carta para a Companhia Noel.

Após os festejos de fim de ano e as merecidas férias de Papai Noel e sua trupe , conseguimos uma entrevista exclusiva com o dono da Companhia Noel - sim, ele mesmo - e seus ajudantes mais próximos, Ping e Ling.

Mundo da Penumbra: Em primeiro lugar gostaria de agradecer a atenção de vocês em responder ao Mundo da Penumbra. É uma honra para nós entrevistar entidades natalinas importantíssimas.

Noel: Ora, nós da Companhia Noel que agradecemos pela oportunidade.

Ling e Ping: E pela propaganda.


Mundo da Penumbra: Como é para você, Noel, dirigir por tanto tempo uma empresa líder de mercado como a Companhia Noel?

Noel: É uma satisfação. A cada ano que passa os nossos negócios aumentam. E devo tudo isso às pessoas que não param de ter filhos, um atrás do outro.

Mundo da Penumbra: Uma curiosidade que muitas pessoas tem é a respeito do critério do quê é ser bom ou mau garoto. Como é empregado esse conceito e quem observa essas crianças?

Noel: Bem, você tem que ver que as coisas mudaram, desde a época que fundei a empresa. Antes a fábrica se localizava em meu chalé de verão lá no pólo norte, mas com o passar do tempo o dinheiro foi entrando, e eu fui investindo cada vez mais até a empresa virar a multinacional que é hoje. E com o conceito de “bonzinho” e “vilãozinho” aconteceu o mesmo.
No início era bem mais fácil, não tinha tantas pessoas para julgarmos as ações. Podíamos avaliá-las por tudo o que elas faziam, e na véspera de Natal a presenteávamos. Hoje em dia as coisas mudaram, as crianças não são mais as mesmas. Os pensamentos delas são outros, e os critérios também. 50 anos atrás, se uma criança xingasse o pai, ela ficava de castigo e, por reciprocidade, não recebia o presente da Companhia no Natal. Mas hoje em dia, no século 21, as coisas estão muito diferentes, os valores mudaram. Em outras palavras: se a criança não matar e não colocar fogo na árvore de Natal, o resto está valendo.

Ping: Como o Noel falou: as coisas mudaram desde aquela época...

Ling: Eram tempos gloriosos, que faziam biscoitos para deixar para o papai Noel e ele contrabandeava para nós. Mas hoje em dia as crianças não querem saber de ter trabalho, compram os pacotes de biscoitos e pronto. Não tem mais aquela mágica de antes. Não valorizam as tradições.

Ping: Sem contar que algumas só deixam duas ou três bolachas e comem o resto do pacote. Crianças egoístas.

Ling: Mas voltando a sua pergunta, sobre quem avalia o critério, somos nós, os duendes mesmo. Noel é um cara muito ocupado, e tem que cuidar dos negócios da empresa...

Noel: Hohoho.

Mundo da Penumbra: Alguém já tentou enganá-lo negando ou afirmando algo que fez ou deixou de fazer?
Noel: Desde que o mundo é mundo sempre vão existir espertalhões. Isso acontece a todo ano. Por isso, aumentamos a nossa tolerância do que é certo ou errado, se não a empresa ia acabar falindo.

Mundo da Penumbra: Agora aos duendes, como é para vocês trabalhar na Companhia Noel?

Ling: Bem, ele nos trata como escravos. (risos)

Ping: Trabalho escravo mesmo. Somos operários e não recebemos nenhum direito trabalhista assegurado. (risos)

Noel: Hohoho.

Ling: Agora falando sério. Nós gostamos, podemos fazer o que queremos. Noel é um ótimo patrão, ele nunca nos perturba. Podemos criar a vontade que tudo sempre está bem. Ele é bem diferente dos outros espíritos...

Noel (interrompendo): Eu acho que para uma empresa crescer, o chefe tem que ser como um dos empregados, não ter distinção de cargo.

Ping: Ele é inconveniente. Mas é um bom cara, um bom administrador. A empresa não estaria no mercado esses séculos todos se ele não fosse.

Mundo da Penumbra: Já receberam propostas de outras empresas, como a Mattel, por exemplo?

Ping: Certamente. A concorrência sempre nos aborda com propostas. Falo por mim, não pelos outros. Eu nunca me venderia por menos de 5000 ao ano.

Mundo da Penumbra: E a segurança na linha de produção? Ela existe mesmo? Ou os duendes trabalham em condições impróprias?

Ling: Isso de insegurança no trabalho é história do populacho. Sempre vai ter alguém para reclamar. Você já ouviu alguém dizer que soube de um duende que morreu? Então. Somos que nem os anões.

Ping: A diferença é que eles tem a perna torta e são barbudos.

Ling: Isso depende, eu outro dia saí com uma, que meu amigo...

Mundo da Penumbra: Quais foram as coisas mais sem graça que já pediram?

Noel: Lembro de um garoto que pediu uma bola. Foi um tal de Edson, e se não em engano ele era do Brasil.

Entrevistador: do Brasil?

Noel: Sim, o povo daí geralmente não tem muita criatividade para presentes.

Ping: Lembro que uma garotinha pediu que os pais voltassem a ficar juntos. Foi um tédio só, eles eram muito caretas.

Ling: E quando aquele rapaz quis passar para faculdade, contando que o idiota era um cdf do cacete (risos). Acho que foi o presente mais fácil.

Mundo da Penumbra: E o presente que se recusaram a fazer?

Noel: Nunca nos recusamos a fazer presente algum. Tentamos atender a todos os pedidos sem distinção.

Mundo da Penumbra: Você poderia nos contar, Noel, o que personalidades históricas pediram?

Noel: Teve a vez que Colombo pediu para provarmos a teoria maluca dele de que a Terra era redonda. Eu fiquei meio contrariado com aquilo, sabe? Viajo há séculos para saber que a Terra era plana, mas como era um pedido, eu realizei e olha no que deu! Agora todo mundo acredita na baboseira dele.

Teve o Chaplin, que pediu aquele chapéu. Não foi um pedido grandioso, mas ele fez história, hohoho. Um bom garoto, o Chaplin.

Teve a Mulher Melancia e você já sabe bem o que ela pediu.

Um que me deixa orgulhoso e triste ao mesmo tempo foi o Hitler. Ele me pediu tanto o poder para dominar o mundo e chegou no final das contas o perdeu.

Sansão foi um cara maneiro, cabeludo. Eu gostava do estilo dele.

Mundo da Penumbra: Uma pergunta que nos chega por e-mail de um leitor do Mundo da Penumbra é: “como o Papai Noel atende a todos se ele sempre chega à meia-noite”?

Noel: Isso é simples. Temos redução no Imposto de Renda a cada dois presentes que entregamos, e tudo é revertido nas horas de entrega. Se entregamos dois presentes, a hora volta à meia-noite.

Mundo da Penumbra: A Marizette, que acabou de ligar para mim a cobrar, pergunta se crianças que não acreditam em Papai Noel, nem são cristãs ganham presentes se forem boas.

Noel: Com o tempo aprendemos a lidar com as coisas. Estamos em uma nova era, ninguém mais acredita no que não é lógico. A companhia Noel conseguiu burlar essa coisa toda, e não enfraquece com a falta de crença. E como só aparecemos por aqui uma vez ao ano e o relógio sempre fica voltando, só ficamos nessa terra uns dois minutos.
A empresa não faz distinção de crença ou descrença, fazemos o nosso trabalho. É com isso que acreditamos que vai chegar um dia e todos voltarão a acreditar na Companhia Noel.

Mundo da Penumbra: E uma criança egípcia, indígena, tibetana, que não faz nem idéia do que é o Natal, também ganha presente se obedecer a Rá, Tupã ou Buda?

Noel: Até ao Shalamar. Eu já disse, todos recebem presentes.

Mundo da Penumbra: Qual a mensagem que vocês deixam para as crianças que não foram atendidas esse ano?

Noel: Que continuem utilizando os produtos da Companhia Noel, pois o nosso dever é sempre servir bem a vocês.