Juliette Society - crítica
Terminei recentemente de ler Juliette Society, de Sasha Grey, já com a proposta de fazer uma crítica. Fiz algumas pesquisas sobre as críticas existentes e me deparei com materiais não aprofundados ou ácidos preconceitos, o que inclui comentários desagradáveis à sua pessoa. Aqui a proposta não é esta, entendo que mais a cosmovisão que a biografia do autor define sua obra. É inegável que há uma relação muito íntima entre a experiência anterior da autora em questão e a temática do romance.
Numa justa avaliação, é um bom romance, composto por uma escritora talentosa. Sasha lança mão de técnicas descritivas, sem soar maçante, imprime um tom de realidade que é a cara do american way of life, preza por um lirismo pessoal nas comparações de sensações e impressões de sua protagonista, que são o ponto alto do livro. Mas há um porém: a enxurrada de cenas de sexo! É um romance erótico, ok? Mas seria como ter potencial para projetar uma Ferrari Testarosa e sair de fábrica com um Fusquinha 58... A parte negativa é que é perceptível que ela tem potencial para ir além, mas não o faz, Juliette Society poderia ter sido melhor, mas não sei se por óbvias razões de marketing ou porque o objetivo é gravitar nessa esfera menor que é o romance erótico. Em suma, eu a vejo futuramente diminuindo o repetitivo e explorando suas melhores características.
Quanto à linguagem, Sasha guarda o melhor para os momentos exatos, onde não há exatamente uma explosão de riqueza poética, antes a sutileza que o leitor desatento deixa escapar. É impossível encontrar diferença no lirismo entre as passagens destacadas adiante, em diferentes momentos:
Chicotes de couro estalam em minhas costas, mordendo minha carne, golpe após golpe
e
um profundo vermelho carmim que lembra os brilhantes tons de outono das árvores de carvalho que contrastam contra o céu azul-prateado durante o início da noite, na hora em que chego ao parque
Aprofundando um pouco mais, há alguns elementos que merecem destaque. Vamos a eles: em primeiro lugar o convite de pacto com o leitor foi sensacional. A descrição das maldades do mundo do capital estão ali, nuas e cruas, expressas por quem passou pelo submundo e dele pode falar com autenticidade. Um ponto interessante é que Catherine, a protagonista, precisa ser católica justamente para imprimir mais contradição com os fetiches relacionados à religiosidade. Se fosse protestante, a relação com o paganismo grego, os cultos das bacantes e Priapo ficariam mais distantes.
A substância do romance é a exploração do corpo: feminino e masculino. Na maior parte as analogias são perfeitas. A segunda matéria é a descrição dos fetiches. Se não estão todos, há um bom número deles. E sem esse puritanismo tosco de julgar a moça, confundindo intencionalmente personagem e autor. Façamos este pacto? Já a terceira é a excessiva referência a filmes clássicos. Isso eu achei bem chato e desnecessário. Tudo bem que ela pesquisou, mas se continuar assim será um forte motivo para que eu nunca mais a leia.
E por falar em filmes, não há como não mencionar 8 mm, estrelado por Nicholas Cage. Juliette Society é a cara de 8 mm, sem copiá-lo, obviamente. Aquele clima repugnante e hediondo está presente na mesma proporção. E sem o caráter investigativo, até para não se tornar romance policial, no que eu fugiria como o diabo foge da cruz.
Ainda nas referências, há o desenvolvimento do mergulho introspectivo, que a é melhor qualidade de Tchekhov, e soa como a estória dentro da estória, de Alexandre Dumas. Me pergunto até agora como o caderno Verso & Prosa, de O Globo, passou por isso e não viu! Esta parte do romance produziu outra pérola, que vem na veia de Robert Howard, em Os filhos da noite: a personagem se lembra de uma carta lida na pré-adolescência, que remete à memória genética da qual o autor estadunidense nos fala.
ficou comigo, incubado profundamente em meu subconsciente como um parasita, onde montou acampamento e fez uma casa para si
Há ainda elementos de Lovecraft e Gaiman completamente perceptíveis no final do livro. A confusão de corpos amontoados, todos copulando entre si, numa massa informe, caótica, que não beira, mas é a mais completa representação do Absurdo. Em Lovecraft, praticamente tudo, principalmente os mitos de Cthulhu. Em Gaiman, o conto Apenas o fim do mundo novamente, em Fumaça e espelhos, no que a ideia da Juliette Society – a tal festinha milenar para gente bacana transar – é a mesma do conto de Gaiman, e também a de um filme com Tom Cruise e Nicole Kidman, De olhos bem fechados, de Stanley Kubrick. E para completo horror dos puritanos até Ruben Fonseca tem o seu “campeonato de conjunção carnal”, no conto O campeonato, de Feliz ano novo.
Como visto, as referências são variadas, dos “orgones” de Allan Moore, em seu Neonômicon, a contos infantis (o clichê de Chapeuzinho Vermelho e o nem tanto Alice no País das Maravilhas) a Crowley:
Foda quem você quiser, do jeito que quiser.
E esta é a lei
Uma intertextualidade de riqueza ímpar é a livre comunhão com elementos bíblicos, reservada ao final do romance. A protagonista é enforcada e passa pela experiência de quase morte. Para ela – personagem – o sexo é tão libertador que ela – autora – compara a sensação de morte com um retorno ao antigo Céu, onde não havia distinção entre as águas do céu e do mar:
Vejo um bando de estorninhos rasgando o céu como um cardume de peixes, fazendo uma pequena curva para seguir pela corrente
Negar um estilo bem trabalhado, riqueza poética e talento é negar o conhecimento da própria literatura. Há escorregões? Há, sem dúvidas. Na infeliz comparação de vender creme dental para quem não possui dentes, na bisonha referência ao estupro de Maria Schneider por Marlon Brandon. Mas no total, Juliette Society tem pontos positivos. Se você não tem medo de pirus e bocetas, mergulhe nesta obra, que toca o irreal com contornos muito realistas.
23/12/2016
Rodrigo Martins
domingo, 29 de janeiro de 2017
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
A Estilha de Cristal: crítica
A
Estilha de Cristal – crítica
A
crítica agora é sobre A Estilha de
Cristal, um dos romances de Dungeons
& Dragons. Pelo que me consta, não é dos mais conhecidos, porém é um
livro que merece alguma crítica, visto que não encontrei nenhuma. Em primeiro
lugar vamos conceituar o que é Dungeons
& Dragons para entender a importância da crítica.
D&D
é um sistema de RPG, um dos mais
antigos e mais famosos (sim, ele é mais famoso que a White Wolf). É também um dos mais variados em termos de raças,
geografia e planos! Sim, planos de existência. Apesar das regras serem simples,
há um grande leque de opções para jogadores e mestres de narrativa. Talvez seja
esse um dos fatores de sua enorme popularidade. Falando um pouco mais sobre
D&D, as raças existentes são praticamente tudo o que a cultura humana já
produziu em termos de folclore e um pouco mais, como criações da literatura por
exemplo (os hobbits de Tolkien são os halfings de D&D). Os cenários também
dão conta de tudo o que conhecemos e mais um pouco, como as ilhas fantásticas e
míticas, subterrâneos de Julio Verne até os planos de existência da Alta Magia
e sociedades secretas. Porém isso ainda não é tudo: eles vão um pouco além em
termos de História para criar o conceito de Era. Sim, são os chamados reinos ou
realms de D&D. Vou citar os três
que conheço, porém se houver complementos a serem feitos, por favor.
Para
quem pesquisa ou se interessa por literatura
fantástica, fantasia medieval ou
simplesmente fantasia, irá se deparar
com a dicotomia C. S. Lewis x Tolkien. Enquanto o primeiro preza por elementos
mais fantásticos, o segundo situa tudo num plano histórico e busca referências
mitológicas e folclóricas. Usando Tolkien como referência, digamos que o realm Dragonlance se parece muito com o momento histórico da Terra Média
tolkieniana durante a Guerra do Anel, enquanto o realm Forgotten Realms se
situa num passado muito mais distante, onde a magia é mais poderosa, o mundo
está repleto de objetos mágicos poderosíssimos e tudo é muito mais que demais.
Falei que há um terceiro, não foi? Pois é, é o realm Ravenloft, que
explora as nuances de terror, horror e possui um clima pesadelar.
Historicamente, não faço a menor ideia de onde se situa, mas seguindo o
raciocínio estabelecido anteriormente, podemos conceituar para além da Guerra
do Anel e compará-la com a nossa Idade Média, aquela coisa de Transilvânia, o
medo que os europeus sentiam dos turcos, condessa Bathory e ir caminhando nessa
linha até as expedições inglesas no Egito.
Tá,
mas e A Estilha de Cristal? Calma,
ainda não.
Há
dois títulos considerados mais importantes: As
Crônicas de Dragonlance (mais comumente chamado pelo seu primeiro livro da
trilogia: Dragões do Crepúsculo do Outono)
e Knight of the Black Rose (ainda não
traduzido, cujo título sugere Cavaleiro
da Rosa Negra). O primeiro é o mais conhecido de fato e o primeiro a ser
lançado, enquanto o segundo é tido como o melhor, do ponto de vista literário,
com boas técnicas de narração e um estilo refinado. O primeiro pertence a Dragonlance, obviamente, já o segundo, a
Ravenloft.
Qual
o objetivo da D&D em lançar romances de fantasia medieval ambientado em
seus próprios cenários se poderiam fazê-los por meio dos jogos propriamente
ditos?
Bom,
raramente você me verá rasgando seda para empresas ou empresários, mas os caras
foram geniais. E não, não direi que a resposta para toda e qualquer pergunta é
$$$. Creio que ele veio, certamente, mas acompanhado daquilo que nos interessa
enquanto fãs, jogadores, leitores de literatura e amantes da fantasia, que é a
qualidade do trabalho desenvolvido, seja ele um jogo ou um título literário. E
essa me parece ser uma característica da D&D, que é se expandir para outras
mídias literárias. E você pode torcer o nariz o quanto quiser, porque o que
eles fazem é literatura sim, e das boas. O primeiro destino foi o desenho. Quem
não se lembra do clássico Caverna do Dragão? Pode lacrimejar, todos nós sempre
fazemos isso. Este talvez tenha sido o maior sucesso de D&D fora do sistema
de RPG. Depois foi o game pra Mega Drive que se não me engano foi também chamado Dungeons & Dragons. Lembro-me também,
pelos idos de 1997, 1998, ter jogado num fliperama de shopping um jogo muito
parecido com as ambientações de D&D. Jogava com uma mulher loira (levei
dias para perceber que era na verdade um elfo...), mas também havia um anão e
um bárbaro, dentre outros personagens.
E,
finalmente, eles se aventuraram no terreno da literatura propriamente dito. E
retomando a indagação feita lá em cima: era uma chance de descrever os cenários
contidos nos jogos, explorar as características de diversas raças, o uso de
mapas, elucidar a compreensão das culturas, exemplificar as formas de magia,
entre outros, como fornecer ideias aos narradores das aventuras rpgísticas.
Para quem se lembra dos materiais que citei, é uma característica da D&D
explorar seu próprio universo (ou seria multiverso?) em outras mídias.
Bom,
até aí não há nenhuma novidade em se servir de metalinguagem. Para muitos ela é
até ruim, porque o risco de se tornar repetitivo é gigantesco. Dizem que este
foi o grande problema ocorrido com As
Crônicas de Dragonlance. Eu me eximo de formular qualquer juízo de valor
porque não li o título todo e a versão que tive em mãos era tão ruim que
abandonei.
Agora
sim podemos ir finalmente a A Estilha de Cristal, e, se você ainda não leu, há
muito spoiler aqui!!! Pode pular para a estrelinha vermelha lá embaixo.
O
romance pertence a Forgotten Realms e
escrito por Bob Salvatore. Eu nunca tive os livros deste realm em mãos, mas logo ao começar a ler, senti que era exatamente
como imaginava. O livro pulsa a magia, a narrativa pulsa a magia. Logo de cara
o leitor se depara com um poema inicial – mais uma característica dos romances
de D&D – na linha Tolkien. No prólogo há uma muito bem elaborada descrição
do plano dos demônios, com as hierarquias e tal, a oposição com seres
angélicos, e Salvatore gruda o leitor página a página, com seu estilo narrativo,
sendo cruel onde precisa ser, carismático ou engraçado na devida proporção,
penetrando na personalidade das personagens para apresentar suas “humanidades”.
O
que é a estilha?
É
um cristal mágico confeccionado por lichs no melhor estilo Silmarils, ou os próprios anéis
de poder forjados por Celebrimbor e entregues três aos elfos. Ela é O
artefato em disputa, porém não o único, seu poder advém da captura da luz solar
e sua principal característica é criar torres idênticas para amplificação de
seu potencial. O enredo se desenvolve em Dez-Burgos, uma região que contém dez
burgos e três lagos, além de um vale ao norte e outras coisas mais que estão no
mapa. O primeiro livro fecha com uma guerra de homens bárbaros contra os homens
de Dez-Burgos e os anões. Os bárbaros perdem e no segundo livro, Bruenor, um
anão, adota um menino bárbaro, ensinando-o o ofício de ferreiro. O mesmo anão
confecciona uma martelo mágico, chamado Garra
de Palas, que em verdade é o Mjolnir
de Thor, porque ele vai, acerta a cabeça do adversário e retorna para as mãos
de seu portador. Duas bonitas cenas são o ritual mágico no qual o anão
desenvolve a arma, observada pelo elfo negro Drizzt, e a entrega da mesma ao
não mais menino bárbaro. Akar Kessel, fazendo a linha aprendiz de mago manezão,
e que encontra a estilha ainda no primeiro livro, decide tomar Dez-Burgos, com
seu exército de monstros manipulados pelo poder do artefato. Para se somar à
treta, outro manezão aprendiz de mago (um NPC lambão) liberta Errtu, o demônio
que cobiça a estilha desde muito tempo, e parte sem demora para disputá-la. E
como estamos falando de D&D, não poderia faltar justamente o dito cujo: um
dragão branco cleptomaníaco (tô ligado na redundância, em D&D todos os
dragões são cleptomaníacos). No terceiro livro, o bárbaro mergulha no mar de
gelo, seguido do elfo negro, e ambos enfrentam Ingeloakastimizilian (pronuncia
aí, rapá). Entre os tesouros de Ingel... Drizzt encontra uma espada de gelo,
que obviamente combate seres de fogo. Porque é D&D, a bordoada estanca, e
estanca para valer, e isso muito me lembrou Robert Howard e suas descrições de
combate em massa. Salvatore foi muito feliz em tê-lo como referência. E o livro
termina com a partida de quatro companheiros – há um hobbit entre eles – na
busca pelas ruínas das cidades anãs, que é um ótimo gancho para um segundo
volume. Mal espero para me debruçar sobre ele.
Na
parte estilística e técnica, Salvatore coloca uma espécie de prólogo em cada
livro, no qual o elfo negro Drizzt faz boas digressões filosóficas acerca de
ética, influências culturais e de ordem social (não diria sociológicas). Fiz as
seguintes observações as quais achei pertinentes:
As
personagens Drizzt e Cássio são montadas em cima de Sun Tzu, de A arte da guerra. Isso porque são personagens
bastante observadoras, que estudam minuciosamente os adversários, reservando a
Cássio o combate em nível macro e a Drizzt o recurso de “cozinhar” o adversário
e lançar mão de tocaias. Isso constitui um baita bizú para os mestres
narradores. Outro bizú legal é o sistema de tranca de cofres do anão. Vale
conferir.
Há
um questionamento muito interessante por parte de Cattiebrie, uma jovem humana
adotada pelo anão Bruenor, acerca da macheza sem limites do bárbaro Wulfgar.
Ela basicamente pergunta se ter “piru” faz alguém ser melhor que outrem.
Na
parte cômica, a construção de Sorrisão é esplêndida. Imagine um gigante de gelo
com um nome desses.
E
como nem tudo poderia ser flores há um deslize que não sei dizer se de
Salvatore ou do tradutor, mas que é estranho balistas abrirem fogo, é. E muito.
Na hora pensei em Silvio Santos falando “Mah
oiê?”. Outra foi algo como “criaturas
que jaziam mortas ou agonizantes”. Me pergunto como alguém pode repousar em
agonia. o_O
Outra
coisa que me deixou triste foi a sustentação da lógica burguesa dentro da
fantasia medieval. Apesar de não ser tão aprofundada, como o é em Julliete
Marrilier, por exemplo. É chato porque grande parte do público é composto por jovens
que ainda estão em processo de sua formação intelectual e ideológica e se
deparar com esse viés como o único possível é um tanto doloroso. O que me
chamou a atenção foi a concepção de Cássio como o político que “rouba, mas faz”,
o que é muito comum aqui no Brasil, onde nos deparamos com a corrupção em todas
as instâncias de poder e setores da sociedade, inclusive na privada! Nem mesmo
as grandes, pequenas, médias, minúsculas ou nano empresas estão isentas. Aliás,
elas são as principais corruptoras! Porém não é este o assunto da crítica,
contudo é impossível não falar, mesmo que brevemente, de algo que reflete muito
bem (?) nossa realidade política, econômica e social.
Quanto
aos volumes dois e três tenho algumas sugestões: no volume dois, os quatro aventureiros
buscarão o Salão de Mitral dos povos anões embaixo da terra, no melhor estilo Jorney through the dark (Blind Guardian), ou a passagem por Moria
em O Senhor dos Anéis, para no volume
três, retornarem a Dez-Burgos e se depararem com alguma treta inventada pela
própria Estilha de Cristal, porque no volume um ela desiste de Akar Kessel e
não é mais mencionada. Lá no prólogo, Al Dimeneira, o ser angélico que bane o
demônio Errtu do mundo material, abandona a estilha na neve. Aparentemente
Drizzt cometera o mesmo erro, a menos que isso seja fundamental para a
existência de um volume três. Aí Bob Salvatore está perdoadíssimo.
(Se
você chegou aqui, é um guerreiro, subiu no meu conceito!)
Ah,
e por que eu falei exaustivamente sobre D&D lá no começo do texto? Porque
achei simplesmente genial a concepção de arte dos caras. As mídias não são
limitações para eles. Os caras encaram o desafio de promover a marca em outros
mercados, mas com qualidade, o que rende bons frutos para o público. E não é mera
metalinguagem, há um bom diálogo das outras mídias “filiais” com a matriz, que
é o jogo de RPG. O que isso provoca
na literatura? A tarefa de o autor ter de descrever o ambiente de jogo, algumas
regras de funcionamento do sistema, discorrer acerca das características do
jogo em si, como citei lá em cima, as culturas das sociedades, detalhes geográficos
para o aprofundamento de ambientações, como os planos funcionam, as
características das raças, como se inserem no contexto social. Isso acaba
funcionando como um baita suplemento para o sistema de jogo, como os
suplementos que a White Wolf fez para
os livros de Changeling, embora a
D&D os tenha feito muito antes e em forma de romances. E na literatura isso
simplesmente modifica a forma de a obra ser entendida em sua totalidade. Não é
mera literatura de consumo adolescente ou obra ficcional de fantasia baseada no
folclore europeu. Elas constituem um capítulo a parte na crítica de literatura
infanto-juvenil, justamente porque elas precisam fornecer material para os
jogadores. Elas cumprem uma dupla função.
Como
tenho acompanhado pouco D&D de uns anos para cá, não sei o que têm lançado,
mas falando de outra mídia, vi em livrarias livros de World of Warcraft. Nunca joguei, conheço pouco, mas são games on line na linha RPG. O
trabalho gráfico é lindo de morrer. Folheei algumas páginas, li umas linhas e
achei que vem a ser um bom substituto do velho D&D e com a mesma proposta.
Espero que sim e se valer a pena, mais lá na frente pode pintar aqui uma
crítica. Agora estou lendo Juliette
Society, da Sasha Grey, e se também valer o esforço vem crítica. De
antemão, ela tem talento com as letras, vamos ver como se sai nos ¾ de livro
que restam.
Em 15/12/2016
Rodrigo
Martins
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
Do vinho vem a sabedoria - Um Infinito para cada garrafa e uma garrafa para cada Infinito
Hoje
deixo vocês com um microconto de um grande amigo, Maurício Panaro. Ao lê-lo por primeira vez (o conto), pensei:
“caramba, isso é a cara do Maurício. Que habilidade para “ficcionar” as
próprias palavras!” Atendendo às características que o formato exige, estão lá
impecavelmente a rapidez dos eventos, dos diálogos, a pouca profundidade nas
personagens, sem porém deixar de preenchê-los de densidade. É isso, há uma
densidade preenchida por poucas palavras, que expandem a ideia do meramente
planificado na tela. Em suma, é um trabalho, não para se ler com pressa, mas
com a sofisticação da degustação.
Do vinho vem a sabedoria - Um
Infinito para cada garrafa e uma garrafa para cada Infinito
"Sabe, então é um infinito
que está aí dentro." Disse Damião, sua voz educada soando cavernosa e
arrastada, como duas lápides se esfregando.
"Achei que você tinha dito que há um espírito aqui." Corrigi.
"Tá mais pra uma... consciência dimensional - transcendente que se tornou levemente antropomórfica por lidar com nosso mundo disfarçada de humano." Ele explicou. "Ela já foi um lugar, uma cor e uma equação matemática. Aí veio pra cá e tentou ser humana nesse mundo. Agora ela é tipo um espírito mesmo. Mas um espírito infinito." Ele coçou o queixo calmamente. Damião era assim, sabido, mas honesto, por isso eu gostava de trabalhar com ele e o pessoal do apê. Dá pra confiar neles.
Segundo eles já fazia uma semana que eles tinham dado abrigo a uma entidade que precisava de ajuda. Logo depois essa entidade teve que ser engarrafada por Tia Fell, pois era capaz de consumir o universo se ocupasse o mesmo lugar que ele.
Girei a garrafa e inspecionei seu conteúdo. Eles estavam certos.
"Exatamente o que vocês esperam que eu faça?" Perguntei, tentando manter a compostura de alguém que está segurando infinitas bombas nucleares na mão, todas presas por uma rolha dentro de um pedaço de vidro.
"Então, a Fell trancou o bicho aí, mas o anjo nem chega perto disso. Andréia ficou tão abalada que foi dar um tempo fora, tá viajando não sei aonde e o Leandro... não dá pra confiar a ele esse tipo de coisa, você sabe."
"Espera, vocês acham que eu posso cuidar disso? Ficar com isso?"
"Você pode?" Ele simplesmente perguntou.
Agem comigo com honestidade. Fiz o mesmo então.
"Acho que não; quer dizer, é uma infinitude, de qualquer maneira. Se escapar, vai no mínimo subverter centenas de mentes e se tornar uma Egrégora. No máximo vai virar a realidade toda do avesso e criar uma nova!" Tentei fazer ele entender que eu não tinha lugar pra guardar isso; o armário do quarto? Onde eu ia colocar algo com o potencial de destruir um universo?
"Eu entendo." Damião disse, do seu jeito particularmente calmo. "Mas a gente pensou também: 'Maurício conhece pessoas', então talvez você conheça alguém que possa ficar com isso, alguém de confiança... "
Enquanto ele explicava isso as engrenagens na minha cabeça já iam girando nas piores direções possíveis. Nossa, se isso cair em mãos erradas podem muito bem leiloar isso nos Planos, ou sugar essa energia de um universo inteiro, ou simplesmente quebrar a maldita garrafa...
"Você me ouviu?" Perguntou Damião, me despertando do devaneio terrível.
"Sim, ouvi. Não, eu não acho que eu conheça alguém, mas tenho outra solução. Posso levar essa garrafa e abrir além da Beira do Infinito. Do outro lado ela não vai ser problema, só vai se tornar um outro universo." Eu tentei manter a calma enquanto dizia aquilo. Queria que soasse provável, além de possível.
Silêncio por alguns segundos. Depois Damião respondeu:
"Vai ser uma puta caminhada!"
"Eu gosto de caminhar." Respondi.
Ajeitei a garrafa com cuidado na mochila, me despedi de Damião e comecei a andar em direção ao pôr do sol.
"Achei que você tinha dito que há um espírito aqui." Corrigi.
"Tá mais pra uma... consciência dimensional - transcendente que se tornou levemente antropomórfica por lidar com nosso mundo disfarçada de humano." Ele explicou. "Ela já foi um lugar, uma cor e uma equação matemática. Aí veio pra cá e tentou ser humana nesse mundo. Agora ela é tipo um espírito mesmo. Mas um espírito infinito." Ele coçou o queixo calmamente. Damião era assim, sabido, mas honesto, por isso eu gostava de trabalhar com ele e o pessoal do apê. Dá pra confiar neles.
Segundo eles já fazia uma semana que eles tinham dado abrigo a uma entidade que precisava de ajuda. Logo depois essa entidade teve que ser engarrafada por Tia Fell, pois era capaz de consumir o universo se ocupasse o mesmo lugar que ele.
Girei a garrafa e inspecionei seu conteúdo. Eles estavam certos.
"Exatamente o que vocês esperam que eu faça?" Perguntei, tentando manter a compostura de alguém que está segurando infinitas bombas nucleares na mão, todas presas por uma rolha dentro de um pedaço de vidro.
"Então, a Fell trancou o bicho aí, mas o anjo nem chega perto disso. Andréia ficou tão abalada que foi dar um tempo fora, tá viajando não sei aonde e o Leandro... não dá pra confiar a ele esse tipo de coisa, você sabe."
"Espera, vocês acham que eu posso cuidar disso? Ficar com isso?"
"Você pode?" Ele simplesmente perguntou.
Agem comigo com honestidade. Fiz o mesmo então.
"Acho que não; quer dizer, é uma infinitude, de qualquer maneira. Se escapar, vai no mínimo subverter centenas de mentes e se tornar uma Egrégora. No máximo vai virar a realidade toda do avesso e criar uma nova!" Tentei fazer ele entender que eu não tinha lugar pra guardar isso; o armário do quarto? Onde eu ia colocar algo com o potencial de destruir um universo?
"Eu entendo." Damião disse, do seu jeito particularmente calmo. "Mas a gente pensou também: 'Maurício conhece pessoas', então talvez você conheça alguém que possa ficar com isso, alguém de confiança... "
Enquanto ele explicava isso as engrenagens na minha cabeça já iam girando nas piores direções possíveis. Nossa, se isso cair em mãos erradas podem muito bem leiloar isso nos Planos, ou sugar essa energia de um universo inteiro, ou simplesmente quebrar a maldita garrafa...
"Você me ouviu?" Perguntou Damião, me despertando do devaneio terrível.
"Sim, ouvi. Não, eu não acho que eu conheça alguém, mas tenho outra solução. Posso levar essa garrafa e abrir além da Beira do Infinito. Do outro lado ela não vai ser problema, só vai se tornar um outro universo." Eu tentei manter a calma enquanto dizia aquilo. Queria que soasse provável, além de possível.
Silêncio por alguns segundos. Depois Damião respondeu:
"Vai ser uma puta caminhada!"
"Eu gosto de caminhar." Respondi.
Ajeitei a garrafa com cuidado na mochila, me despedi de Damião e comecei a andar em direção ao pôr do sol.
Extrato de
diário (Referência; 124 - 201{?}; "Do vinho vem a sabedoria - Um Infinito
para cada garrafa e uma garrafa para cada Infinito")
Maurício Panaro
Maurício Panaro
sábado, 18 de junho de 2016
Fonsequiando
Conto inspirado na obra de Rubem Fonseca, com o Rio de Janeiro como cenário, como não podia deixar de ser.
Fonsequiando
A Elesbão Ribeiro
Depois de girar pelos buracos
da cidade, encontrei meu destino num motel fedorento da Av. Brasil, desses que
o letreiro pende de um lado de velho. Além de fedorento o lugar era mal
conservado, um muquifo. Onde os ratos só entram para espantar o tédio.
Tinha à minha disposição uma
morena. Não era bonita, mas tinha grande a bunda. As roupas eram vulgares, mas
convenhamos, onde a peguei se assim não estivesse seria confundida com suas
vizinhas moradoras do mesmo bairro, vila, favela ou sei lá o que aquilo
chamasse.
Mas não, eu conhecia aquela
merda toda. E conhecia com a palma da minha mão. Sempre estaria em mim.
Indubitavelmente impresso, expresso, selado e carimbado.
Putaquepariu, disse eu
baixinho, tô ficando velho, é capaz de continuar pensando nisso mesmo depois de
morrer.
Como, senhor...?, perguntou
Rosineide. Eu levantei os olhos. Do chão para as coxas dela. Rosineide tinha
junteira, mas que disfarçava com um rebolado de adolescente mostrando o rabo.
Na hora lembrei-me do Camilo, da firma que trabalhamos na zona oeste: mulher
gostosa, é a que tem junteira, rebola mesmo sem vontade.
Dance, disse a ela, e sentei
numa cadeira salmão, desconfiando que um dia tivesse sido rosa. Não faço além
do combinado, se o amigo não sobe aí o problema é contigo, falou.
Olhei seriamente para ela, eu
só quero que dance. Você dança e fica tudo bem. Não, ela gesticulava como se
não falássemos no mesmo idioma, não vou fazer além do combinado. Ou então você
paga mais.
Quem ela pensava que era? Havia
tantas como ela. Se eu emparelhasse algumas ali elas negociariam entre si o
menor valor pra mim. Fiquei olhando aquelas coxas levemente curvadas pra
dentro, até a altura dos joelhos, depois seguiam as canelas retas, mas em
direções opostas. Até que tinham lá sua graça. Sorri.
Você deve achar que sou um
velho babão, disse ainda com o sorriso na boca. Olha, acho não, nem velho o
você é, respondeu ela, mas que tal começarmos logo? Cê qué que eu bata uma?
Ela tinha certeza de que eu era
uma merda de velho babão. Onde fui parar? Até uma puta sentia pena de mim.
Parece que debaixo do poço havia um sótão. E sim, as putas sentiam profunda
compaixão por mim. Como podia ser diferente?
Rosineide, querida, eu não
quero punheta, falei calmamente. Quero que você dance. E só dance. Entendi o
que você quer, mas pra ter showzinho tem que abrir a mão, e ela me estendeu a
palma da mão com o indicador da outra no centro.
Estava ficando puto com aquilo,
será que ela queria também me sacanear? Que porra que ela tava falando? A
mulher tinha junteira e problemas cognitivos.
Levei a mão ao rosto numa
expressão de angústia. Olha, a gente não vai meter, mesmo que “o amigo” suba.
Como?, ela me perguntou. E tinha realmente dúvida em seu rosto. Levantei e
falei, eu não meto, você dança, eu te pago e você vai embora, sorri com olhos
vidrados como se estivesse fazendo uma descoberta maravilhosa.
Rosineide titubeou, levou a mão
à cabeça e disse, tá legal, se você quer assim. Então ela pegou seu smartphone e colocou uma porra de funk
estridente e teria começado se eu não interviesse. Ah, você quer se dar de
bacana, tenho uma ótima pra gente fina, e colocou Joe Cocker, aquela mesma do
comercial. Será que ninguém cansava daquela porra?
Tira isso daí, falei com
impaciência já pegando o meu smartphone.
Pronto, agora sim. Era Miles Davis. Tinha uma música do Savatage na cabeça, que
falava sobre espinhos e sonhos, mas queria mesmo era ouvir Miles Davis. Era com
sua música que queria ver aquilo. E não descobrir que podia haver mais coisa
embaixo do sótão.
Rosineide
começou a dançar. Ela era gostosa e conseguia ficar mais gostosa ainda
dançando. Jogava os quadris de um lado para o outro, como as pancadas de um
gongo que soam e soam. E atordoam o alvo a cada colisão. Se eu metesse nela
jamais teria aquela visão, do corpo moreno, à meia luz, serpeando a hipnose,
mareando o movimento, puxando os olhos da cara, grudando na pele, de fogo e
beleza e desejo.
Rosineide ria e mandava
beijinhos. E me mostrava a bunda. Passava o pé pelas canelas, subindo. Voltava
a dançar com aquele movimento ondulante de amazona e rainha-puta. Sim, puta,
rainha e amazona a um só tempo. O que rondava minha mente era que ela não era
isso tudo por si mesma. No fundo era uma mulher comum. Como qualquer outra. O
que a fazia puta?
Eu sabia. Sempre soube. Desde
sempre. Era o mesmo que fazia minha mãe ter sido puta, ter posto minha irmã pra
ser puta e consequentemente o que levaria minha filha a ser a puta dos
coleguinhas, pelo que a mãe dela já dizia.
Elas eram mulheres comuns. De
avental sujo de gordura e lambendo colher de pau. E eram putas dependendo do
babaca que tivessem por perto. Ou lhes pagando pra dançar. Ou meter. Ou
implorar por uma punheta.
Abri o bolso da camisa e tirei
um envelope preenchido com o pó mágico que cai das asas da Sininho. Havia meses
ali. Abri uma cerveja morna e derramei tudo, sem deixar um naco sequer rolar
pra fora da boca da lata. Bebi a metade de um gole só. O gosto era horrível,
mas nunca beberia aquilo novamente. Decidira isso naquela hora. Sem chance de
voltar atrás.
Logo o efeito me nocauteou no
descanso da cadeira e turvou meu olhar como se transformado num chinês em
questão de segundos. Ainda via o corpo de Rosineide serpeando à minha frente,
como deus e o diabo em luta, em festa ou cópula. Aquilo era uma profusão
multicor de tons escuros. As ancas jogando de um lado para o outro como uma
embarcação flutuante, que não sabe se doma ou se engolido pela maré tempestiva.
Rosineide começou a falar, mas
que ela dizia? Sua voz era um amontoado de palavras desconexas, como aquela
porra de linguagem de Lovecraft. Mas sobretudo sorria. Na minha mente confusa
ela queria transar. Transar não, foder. Ela queria foder. E ela queria foder
era muito. Não que eu fosse babaca de achar que elas sentiam tesão nos caras
que as pagam, mas seu olhar me dizia isso. Tentei dizer a ela que continuasse a
dançar, mas as palavras simplesmente não saiam porque minha boca já estava
dormente.
Levantei os braços pra acenar e
ela tomou a lata das minhas mãos de um impulso. Cara, como eu queria estar
sóbrio pra dizer que não bebesse daquela merda, da mesma forma como queria ter
arrebatado os copos de que beberam minha mãe e minha irmã, e dos que beberia
minha filha, segundo a mãe dela putinha igual a avó e a tia.
Mas não adiantou. Ela tomou
tudo.
Tão logo caiu na cama, fechei
meus olhos esperando que o espinho perfurante me lançasse no sonho derradeiro,
ali, banhados pelo neon vermelho como caricaturas shakespearianas.
Rodrigo Martins
Em
14/06/16
sábado, 30 de janeiro de 2016
O monstro do capinzal
Um micro conto homenageando um grande amigo peludo, brabo e de dentes afiados. Apesar de todas as disputas territoriais e embustes nos damos bem e sempre temos bons momentos. Essa é para você, fera!
O
monstro do capinzal
E
lá estava eu, no capinzal, diante do gato, com sua rama de capim-limão à boca,
uma fera sombria, horripilante e ignota. A noite caía lúgubre e o silêncio que
se fazia era sepulcral. Ele me lançava olhares sinistros, de ódio, e eu revidava,
pois minha sobrevivência dependia disso. Éramos apenas nós dois, e sabíamos que
só um sairia vivo deste embate mortal, cruel e apoteótico. Clemência não seria
pedida, pois não seria dada. A maldade do gato era conhecida pela boa gente e
misericórdia não era da sua natureza macabra.
As
orelhas cor de âmbar foram postas para trás e um turbilhão se apossou de nossos
corpos e mentes. Rolávamos como selvagens desalmados, não mais que bestas
deformadas pela escuridão: não podia afirmar se eu mataria o gato ou se ele me
levaria para as trevas absolutas.
Rodrigo Martins
Em
29/01/16
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
Passeio no Centro do Rio
As coisas, os lugares, as pessoas mudam. É um fato inquestionável e irreversível. Não importa em qual direção, a mudança é a tônica. E diante dela somos impotentes. Toda e qualquer ação não anula o movimento, pelo contrário, é provocado por ele. Esse foi um poema composto espontaneamente, numa das travessias deste popular mercado a céu aberto.
Passeio no Centro do Rio
Hoje fui ao Saara
Cheguei em Pequim
Não vi meus amigos peruanos
Rodrigo Martins
Em 26/11/2014
Passeio no Centro do Rio
Hoje fui ao Saara
Cheguei em Pequim
Não vi meus amigos peruanos
Rodrigo Martins
Em 26/11/2014
sábado, 5 de dezembro de 2015
Solilóquio do cismar só
Poema inspirado na 2ª Geração Romântica, mais precisamente em Bernardo Guimarães em seu poema A Orgia dos Duendes. Fala sobre o ato de escrever, curta e eficazmente, e à maneira popular. Sem mais. Beijos a todos!
Solilóquio do cismar só
Ah, lua marmórea
Dos bêbedos trôpegos
Graça ilusória
De gemidos sôfregos
Vem cá na terra
Baixar teu luar
O homem que erra
Fazê-lo cantar
As cantorias defuntas
Sombrias, funestas
Vampíricas festas
Maceradas palmas juntas
Que cada pérola
Tem em si sua voz
E apego a
Esta pena atroz
Rodrigo Martins
Em 16/08/15
Solilóquio do cismar só
Ah, lua marmórea
Dos bêbedos trôpegos
Graça ilusória
De gemidos sôfregos
Vem cá na terra
Baixar teu luar
O homem que erra
Fazê-lo cantar
As cantorias defuntas
Sombrias, funestas
Vampíricas festas
Maceradas palmas juntas
Que cada pérola
Tem em si sua voz
E apego a
Esta pena atroz
Rodrigo Martins
Em 16/08/15
Assinar:
Postagens (Atom)






