segunda-feira, 28 de julho de 2014

Surrealismos

Surrealismos

O arco do espaço-tempo cristalino
Gelificado pelo vazio das incertezas
Humanas, profanas,
Doentes, clementes
Se afoga no charco de mundanas rezas.

O papa escarlate se movimenta
Pelo tabuleiro da oceânica etérea
Província das praias de pedra e fogo
Misticismo. Luxúria. Dor. Ganância.
A arrogância que produz conhecimento
Não devia se casar com o pássaro branco

Lua de fogo e sangue desce pelo coração
Do cervo que, cercado por cem sábios,
Não sabe o que fazer por merecer
Amor maior de um estupro virtual
Colecionado por algozes de bem

A névoa negra nega veementemente
Sua participação na boa ação
Dos dias de graça (e morte e risos)
Recusando-se a beber do vinho do perdão
A carnificina é boa para o
Espectador e o comércio moral

Rodrigo Martins

Em 10/07/14


quinta-feira, 24 de julho de 2014

A torre desmoronou

A torre desmoronou

A torre desmoronou e não surge aqui um anjo para velar-me
A torre desmoronou e não surge aqui um fantasma para assombrar-me
A torre desmoronou e valquírias não vêm levar-me
Para as terras do tormento
Para o inferno multicolorido
Para o passado passando diante dos meus olhos opacos

A torre desmoronou com a esperança da juventude
A torre desmoronou com a inocência perdida
A torre desmoronou com os sonhos estilhaçados num momento derradeiro
E os acólitos lavaram seus cabelos
E as mulheres choraram seu infortúnio
E os pássaros cantaram em anúncio

A torre desmoronou levando mais que escombros
A torre desmoronou numa aura de horror
A torre desmoronou com o céu, as estrelas e tudo o mais
Diante dos enamorados
Diante dos juramentos
Diante da eternidade

Em 24/07/14.