domingo, 5 de fevereiro de 2012

O gigante da colina



Esse poema compus numa tarde de verão, olhando um morro do Rio de Janeiro. Há muitos anos que o contemplo à tarde, é o velho gigante, ou gigante da colina, como o chamo intimamente. Muitas vezes, a procura de paz, busco por ele e reflito sobre meus questionamentos ou simplesmente o contemplo "nagualmente". Nesse poema, precisava escrever coisas difusas, muitas setas que se espalhavam por lugares diversos e retornavam para sua origem. Esperava homenagear meu amigo gigante, mas no fim das contas mais uma vez compartilhamos momentos de paz.

O gigante da colina

Dorme o velho gigante
Com seu corpo espalhado
Por sobre a terra imensa
Estendendo-se por braços
Abdome, peito e ombros
Dorme enquanto o sol queima
O seu corpo ancestral
De um verde acolhedor
De muitas ervas rasteiras
Dorme o velho gigante

Quando a noite traz o luar
E chegam-se seus mistérios
As almas dormem – profunda
Paz repleta, sonos múltiplos
O gigante abre os olhos
De uma fenda luz verde
Vaga noite adentro e
Vasculha sonhos, desejos
Que a alma humana almeja
E teme ingloriosa

O velho gigante vê
As três belas mulheres
Com seus cabelos vermelhos
Ondulando em ganância
Sexo, mentira e morte
Um pai que em desespero
Chora em sonos seguidos
Seguidamente por choros
Um grande palácio rico
Em ouro, pedras diversas
Atrás de uma passagem
De um viaduto no Centro

Dorme o velho gigante
Com seu corpo espalhado
Por sobre a terra imensa
Estendendo-se por braços
Abdome, peito e ombros
Dorme enquanto a lua toca
Cobrindo de prata seu
Grande corpo acolhedor
De muitas ervas rasteiras
Dorme o velho gigante


Em 05/11/2010, ao olhar um morro ao entardecer no Rio de Janeiro.

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